Autor do livro Remanescentes da Mata Atlântica, o biólogo revela que essa floresta brasileira tinha árvores tão gigantescas quanto as sequoias americanas

Por
Branca Nunes

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16 mar 2019, 07h12

“A arborização ainda é entendida pelo poder público como um enfeite e não como uma máquina de qualidade de vida”, disse o botânico Ricardo Cardim no programa Perguntar não Ofende, ao explicar por que tantas árvores caem nas cidades brasileiras quando chove. Nas últimas semanas foram mais de 600 só em São Paulo. Entre os problemas mais comuns, ele lista a poda errada, a cimentação da base, o corte da raiz e o plantio de espécies inadequadas. “Não temos sequer um inventário das árvores de São Paulo”, observou. “Se não sabemos nem quantas são, como vamos cuidar delas?”

Recentemente, Cardim lançou o livro Remanescentes da Mata Atlântica. Com imagens inéditas, a obra mostra como era e o que restou da floresta que há poucos séculos ocupava o território brasileiro do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. “A Mata Atlântica tinha árvores tão gigantescas quanto as sequoias americanas”, revela.

Criador das Florestas de Bolso, um projeto no qual fragmentos da vegetação original de determinada região são plantados em espaços com menos de 30 metros quadrados, Cardim não tem dúvida: é possível tornar São Paulo uma cidade arborizada. Além dessas pequenas matas, outra boa opção seria transformar em canteiros algumas vagas de carros ao longo das ruas. “Essa proposta vem sendo feita em vários países”, conta. “Se numa rua você tem 100 vagas para veículos, pode tirar vinte e plantar nelas mais de 60 árvores. Com isso você aumenta o verde e, ao mesmo tempo, diminui o risco de enchentes por causa da maior permeabilidade do solo”.



Fonte: Rede Canal

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