Ex-presidente da Fifa disse que não tinha conhecimento dos casos de corrupção da Fifa, em entrevista a site

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Da redação

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16 abr 2019, 11h05 – Publicado em 16 abr 2019, 10h26

Ex-presidente da Fifa entre 1998 e 2015, quando entregou o cargo após casos de corrupção que atingiram a entidade, o suíço Joseph Blatter, de 83 anos, concedeu uma entrevista ao site Uol, divulgada nesta terça-feira, 16, falando sobre os casos de corrupção da Fifa, o aumento do número de participantes da Copa do Mundo e também sobre o Mundial de Clubes. O ex-cartola reafirmou que, pare ele, o Palmeiras é o primeiro campeão mundial.

Blatter falava sobre o domínio dos clubes europeus sobre os sul-americanos nas últimas disputas e disse que a tendência é a disparidade aumentar com a realização de um novo Mundial de Clubes com 24 clubes. Na sequência, falou da conquista da Copa Rio de 1951 pelo Palmeiras. Durante a presidência de Blatter, aquele torneio, que foi chancelado pela Fifa, foi reconhecido como um campeonato de nível mundial por meio de um fax enviado ao Palmeiras.

“Devemos reconhecer que o Palmeiras foi o primeiro campeão mundial de clubes e ponto final. E foi o primeiro”, completou Blatter, que questionado do porquê da mudança de postura da entidade após sua saída, que deixou de reconhecer aquele torneio, respondeu: “Acho que foi porque eu reconheci”, disse o ex-presidente. A Copa Rio teve duas edições, a primeira vencida pelo Palmeiras em 1951 e a segunda pelo Fluminense, no ano seguinte.

Sobre os casos de corrupção na entidade, Blatter, que deixou a presidência em 2015, disse que não sabia o que acontecia nos bastidores da entidade. “Eu não era o responsável pelo que fizeram. Eu posso ser responsável por não ter visto que havia um grupo dentro da Fifa que queria tomar a presidência. Fui tolo de não ter sentido isso”, disse o ex-presidente.

“Eu não renunciei ao cargo. Eu coloquei meu mandato à disposição, mas depois fui suspenso. Nos Estados Unidos disseram que éramos uma organização criminosa. Assim que eu coloquei meu mandato à disposição, fomos considerados vítimas. Depois, em outubro de 2015, eu fui suspenso. Eu aceitei, mas não devia ter aceitado”, afirmou o suíço, que reafirmou que seu nome não está envolvido em corrupção. “Podem procurar. Nunca vai aparecer. Nunca. Eu não estou na corrupção.”

Sobre a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, o ex-presidente disse que o torneio foi sequestrado por políticos brasileiros. “A Fifa foi sequestrada, foi vítima. Devo dizer que fizeram isso de forma inteligente. Tínhamos a impressão de que a Fifa era responsável por tudo. Mas, assim que a Copa começou, tudo ficou calmo. Claro, até a famosa semifinal entre Brasil e Alemanha”, disse Blatter, que disse ter achado um exagero o uso de 12 estádios no Mundial.

“Eu disse que poderíamos fazer com nove estádios, mas eles nos apresentaram um projeto com 17. Dissemos que poderíamos fazer com dez, mas vieram com argumento de que não estamos num país, mas num continente, e, portanto, deixe-nos jogar em todo o continente. Acabou que fechamos com doze estádios”, confirmou o ex-presidente, que confessou ter recebido uma ameaça de bomba na decisão do torneio, entre Alemanha e Argentina, no Maracanã.

“Nunca temi cancelamento, mas no dia da final da Copa, fiquei nervoso até o apito final. Pela manhã, havia recebido uma ameaça de bomba no estádio, que não se confirmou. Eu não poderia dizer nada”, avisou.

Blatter ainda criticou a Copa do Mundo com 48 seleções, programada inicialmente a partir de 2026, no México, Estados Unidos e Canadá, mas com possibilidades de acontecer antes. “Desde o começo eu disse que não vejo isso como uma boa solução. O que é ainda pior é tentar, de todas as formas, que isso seja realidade no Catar, em 2022. O que foi dado ao Catar foi um Mundial de 32”, reclamou.

“Teremos praticamente um a cada cinco times do mundo na Copa. Isso é demais. Mas o outro problema é a forma pela qual foi proposto, com grupos iniciais de três seleções. Isso significa que o último jogo se abra uma possibilidade de alguma coisa estranha. Outro problema é que teremos quatro jogos por dia. Eu falo com muitos presidentes de federações africana e eles estão felizes. Dizem que vão ter mais seleções, mas não pensam na qualidade da Copa.”

Fonte: Rede Canal

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